LAJES: As maiores ondas do Brasil

O Brasil não é palco de etapas do circuito mundial de ondas grandes da WSL, mas isto não quer dizer que elas não existam por aqui. Longe de Nazaré (Portugal), Jaws (Hawaii) e Mavericks (Califórnia) existem muitas ondas cobiçadas por surfistas de todo o país, trata-se das ondas que quebram nas lajes. Elas ocorrem em pedaços planos de pedra que ficam longe da costa ou mesmo entre as rochas que dividem as faixas de areia da orla.

Ali, em condições especiais, ocorre o tipo mais desafiador de onda. Normalmente, para alcançá-las, somente de barco, remo ou jet ski. Quem compra o desafio encontra pouca concorrência. Isto porque, as condições para quebrar ondas nas lajes são raras, o acesso é difícil e bastante perigoso.  

Além da dificuldade de chegar aos locais, há muitos riscos. Dependendo da condição, o mar pode secar nas pedras quando esta onda se forma e, frente a qualquer erro, o surfista pode ser jogado nelas sem água para amortecer.

Todo desafio fica ainda mais interessante porque a frequência de condições para surfar em uma laje é bem específica. Ela depende de uma série de fatores, como o vento, a maré, o fundo do mar e a ondulação.

Confira onde ocorrem as ondas mais cobiçadas do Brasil:

Laje de Jaguaruna, Santa Catarina

Mais conhecida como Laje de Jagua, a onda especial ocorre a 5,3 quilômetros da costa da praia de Jaguaruna, em Santa Catarina. Essa é conhecida como a maior onda de todo o país. Ela é grande, bastante pesada e roda um tubo grotesco.

Ela se torna perigosa, porque dependendo do local e da condição você pode passar com as quilhas a dois palmos das pedras. Apesar de não registrados oficialmente, já foram vistas ondulações entre 30 e 40 pés. 

Entre os frequentadores do local destacam-se os surfistas da Atow-Inj, que sempre estão por lá quando as bombas quebram na laje, sempre com equipamentos de ponta e amparados com a segurança dos coletes da Nob personalizados para a equipe.

Laje do Gadernal, Rio de Janeiro

A laje do Gadernal, que ocorre a 2km da praia da Barra da Tijuca, foi encarada por poucos até hoje. Isto porque também aparece como uma das mais perigosas do país.

Dentre os motivos estão a sua profundidade e o fato da onda quebrar na ponta de uma pedra rasa, quase nem coberta pela água. Quando se tenta pegar o tubo e cai, inevitavelmente baterá na pedra. Ali, muitos big riders conquistaram machucados feios. 

Na foto desta matéria Edilson Assunção, o Alemão de Maresias, que tem apoio da Nob e assina o colete Big Surf, está pegando um tubaço ali. Quase não dá pra acreditar que essa onda é no Brasil.

Laje da Avalanche, Espiríto Santo

Essa onda ocorre a três mil metros da costa de Vila Velha, no Espírito Santo. Ali há uma bancada de corais e, em condições especiais e bastante raras, formam-se ondas de até 4 metros de altura, um slab sinistro. Em 2017 os surfistas Alemão de Maresias, Lucas Chumbo e Carlos Burle estiveram conhecendo este pico com Lucas Medeiros (SUP, longboarder) e outros locais do ES, em uma trip que rendeu altas fotos. 

Laje de Manitiba, Rio de Janeiro

Perto de Saquarema, cerca de 200 metros da praia de Jaconé, ocorre a laje de Manitiba. O local já foi chamado de Brazilian Teahupoo, por publicações internacionais. Ali, forma-se um tubo seco e bem raso. A pedra fica mais alta, então o risco é igualmente alto para quem se arrisca no local.

Urca do Minhoto

A Urca do Minhoto é considerada uma “onda havaiana” que ocorre a 29 km da costa brasileira, próximo ao Rio Grande do Norte. As cidades mais próximas do local são Galinhos e Guamaré, na microrregião de Macau. Este é considerado um pico extremo para surfar e difícil por causa do vento. Ali, já foram registradas ondas de 10 a 12 pés.

Em março deste ano Felipe ‘Gordo’ Cesarano, um dos ‘pilotos-teste’ dos primeiros coletes Nob Big Surf, esteve por lá junto com outros surfistas de pranchinha e também de SUP pegando uma condição incrível, as imagens feitas na ocasião viraram um mini documentário para a TV por assinatura.

As urcas são lajes submersas que ocorrem ao redor do Brasil. Quando venta na direção certa, as areais que cobrem as pedras são empurradas para longe e se forma a condição perfeita para as melhores ondas.

Laje da Ilha dos Lobos, Rio Grande do Sul

Essa onda, que acontece da ilha dos Lobos, quebra a 2 quilômetros da costa, em frente a Torres, no litoral do Rio Grande do Sul. Atualmente, o surf é proibido no local pelo IBAMA, por ser uma área de proteção ambiental e reserva de lobos marinhos.

No entanto, é possível conseguir permissão para surfar lá. Esta, é apontada por alguns, como a melhor onda do Brasil todo. A laje deste local costuma ser grande e tubular. O perigo fica por parte da corrente bastante forte que ocorre ali, que leva para a direção das pedras.